Biblioteca Mário de Andrade apresenta exposição “Sala de Máquinas”, de André Azevedo

Mostra gratuita reúne trabalhos que investigam a escrita e a tipografia como imagem a partir do uso da máquina de escrever

A Biblioteca Mário de Andrade iniciou no último sábado (28), a exposição gratuita “Sala de Máquinas”, individual de André Azevedo, com texto crítico de Ana Paula Lopes e Thierry Freitas. A mostra é exibida no Espaço Tula Pilar Ferreira da biblioteca localizada no Centro da capital e ficará em cartaz até o dia 26 de abril, sendo das 9h às 21h de segunda a sexta, e das 9h às 18h aos finais de semana e feriados.

Há mais de uma década, André Azevedo utiliza a máquina de escrever como instrumento central de sua prática. O som mecânico das teclas – repetitivo e ritmado – integra o processo de construção das obras, formadas por extensos campos tipográficos que, à distância, assumem configurações geométricas ou figurativas e, de perto, revelam-se como composições de letras, palavras e códigos reorganizados. O processo envolve repetição, recombinação e desvio, incorporando o erro como parte constitutiva do trabalho.

Para a Biblioteca Mário de Andrade, o artista desenvolveu uma obra de grandes dimensões que ocupa o espaço central da sala. A peça é construída a partir de fitas já utilizadas em máquinas de escrever, reunidas ao longo dos últimos anos. Diante desse acúmulo denso de palavras impressas, Azevedo intervém novamente, cobrindo fragmentos, sobrepondo camadas e estabelecendo conexões entre trechos distintos, como quem entrelaça fios até formar uma ampla rede.

Referências ao universo fabril e corporativo também fazem parte da prática. À máquina de escrever somam-se a máquina de costura e o uso de tecidos, ampliando as possibilidades materiais do trabalho. A partir da lógica da trama, a escrita é tratada como elemento compositivo e imagem. Ao deslocar a máquina de escrever – hoje fora do circuito funcional da escrita cotidiana – de sua função original, o artista trabalha com dispositivos analógicos para pensar as mudanças na linguagem ao longo do tempo.

Imagens de divulgação

Sobre o artista
André Azevedo desenvolve em um contínuo experimento, técnicas construtivas têxteis e linguísticas, manipulando a matéria ordinária do mundo e adicionando camadas simbólicas a estes elementos. Sua pesquisa com tecidos parte de sua experiência pessoal e familiar com essa materialidade. A partir dessa vivência, Azevedo passou a entender o têxtil ao mesmo tempo como linguagem, conceito e materialidade, o que lhe possibilita inúmeras formas de interação com o mundo. O ponto de partida para realização de suas obras vem da própria etimologia da palavra “texto” e de uma citação recorrente entre vários autores: “Texto quer dizer tecido e uma linha um fio de um tecido de linho”. Seus trabalhos estão em importantes coleções, como MAD – Museum of Arts and Design, Nova York, EUA; The Josef and Anni Albers Foundation, Bethany, EUA; MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; MON – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba; e MAC-PE Museu de Arte Contemporânea, Olinda, Brasil.

Sobre a Biblioteca Mário de Andrade
A Biblioteca Mário de Andrade (BMA) é a maior biblioteca pública do estado de São Paulo e a segunda maior do Brasil, com um acervo de cerca de 1,38 milhão de itens, incluindo livros, periódicos, coleções raras, manuscritos e acervos especializados. Com mais de 100 anos de história, a instituição é referência para leitores, pesquisadores, estudantes e artistas de todas as idades. Desde 1942, ocupa o edifício projetado pelo arquiteto Jacques Pilon, marco da arquitetura modernista no centro de São Paulo, consolidando-se como referência cultural na cidade.

A BMA também oferece programação gratuita e contínua, que inclui exposições, cursos, debates, saraus, lançamentos literários e atividades educativas, garantindo acesso à cultura, à memória e ao conhecimento para todos.

Crédito fotos e imagens: Site #TODOSPELOCENTRO

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